19 de mai de 2012

Temas transversais na prática – Pluralidade cultural


Por: M. Biasi
                                                                                                                      
O grande desafio da escola na contemporaneidade “é investir na superação da discriminação e dar e conhecer a riqueza representada pela diversidade etnocultural que compõem o patrimônio sociocultural brasileiro, valorizando a trajetória particular dos grupos que compõem a sociedade. Nesse sentido, a escola deve ser local de dialogo, de aprender a conviver, vivenciando a propria cultura e respeitando as diferentes formas de expressão cultural”. (Brasil, 1997, p.32).

O tema pluralidade cultural deve ser entendido num contexto em que sejamos considerados iguais, porque somos humanos e respeitados na diversidade, de tal forma que não incorremos o erro de defender o individualismo, e sim a individualidade. (…) a individualidade é decorrente da coletividade, de que identidade cultural é possível quando fazemos parte de um grupo, de uma comunidade. A convivência entre culturas diferentes é esperando de um mundo globalizado. Trocar a partir das diferenças e da diversidade cultural faz com que nos modificamos sem nos submeter a qualquer que seja a manifestação cultural. (…) A pluralidade cultural fala das diferenças, portanto, quando pensamos em diversidade, em pluralidade, pensamos em todos nós, em nossas diferenças, historias e vidas individuais. (SERRAT, 2007, p.54-65).

Pensando o tema transversal pluralidade cultural dessa forma é possível o professor pensar em ações a serem desenvolvidas na sala de aula, como procurar abordar sobre a cultura das regiões brasileiras, povos, historias, pratos típicos, etc., formulando perguntas como: “vocês conhecem as lendas brasileiras?”, “vocês  conhecem pessoas de outras regiões, cidades ou comunidades?",  "Já perceberam a diversidade de comida em nosso pais?”, “Quais  os alimentos de outras regiões vocês já experimentaram?”, ”E as musicas que ouviram?”, “Os sotaques que escutaram?”, "Quais dos costumes culturais de outros povos vocês conhecem ou ouviram falar?", "Já presenciaram alguma manifestação cultural?", etc., estimulando os alunos a responderem questões que se relacionam à realidade, ao cotidiano, promovendo o conhecimento e o respeito da diversidade cultural. Após, pode-se sugerir às crianças que elaborem um cartaz com colagem de gravuras evidenciando a diversidade etnocultural do Brasil, expondo-o em um ambiente da escola a fim de compartilhar essas informações com as demais crianças da instituição. Outra possibilidade é convidar pessoas de outras comunidades, como por exemplo um representante da comunidade indígena, para ir até a escola e falar sobre a sua cultura, história, costumes, suas lutas, etc., a fim de que as crianças possam fazer perguntas, trocar informações, enfim, vivenciar suas aprendizagens. 

Precisamos aprender/ensinar que a igualdade que buscamos é a do humano, dos direitos deveres que possuímos por sermos da mesma espécie e por pertencermos a uma comunidade, que a diferença que buscamos é a da individualidade da cultura na qual nascemos inseridas, da especificidade do nosso sexo, das características de cada idade, das preferências e tantas outras. (SERRAT, 2007, p.63).

Pensar o tema transversal pluralidade cultural é ir além da mera instrução da aceitação e respeito pelas diferenças, mas, incorporar situações de reflexões, articulando o saber ao fazer, e isso diz respeito às experiências cotidianas. O professor tem como função propiciar aos alunos a vivencia dessa nova realidade, estimular o debate, a socialização, a tolerância e o respeito concreto na sala de aula, e isso começa na convivência com seus pares, aprender   valores importantes como desculpar-se, agradecer, solicitar (e não impor), aceitar e acatar orientações dos mais velhos, desenvolver atitudes de tolerância (quando as vontades não são aceitas), ser solidário e sensível frente as dificuldades dos colegas, entre outras atitudes fundamentais para a boa convivência.  

Referências

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Apresentação dos Temas Transversais e Ética. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.


SERRAT. L.M.B. Temas Transversais: Como Utilizá-los na Prática Educativa? Curitiba: IBPEX; 2007.

Um comentário:

  1. Olá, professora! Ótimo artigo! Gostaria de compartilhar um complemento, em outra linha, para sua avaliação: https://www.goconqr.com/pt-BR/blog/diversidade-cultural/

    ResponderExcluir