19 de mai de 2012

O Brincar e a leitura na Pré-escola

Por: M. Biasi


Os professores precisam considerar que na educação infantil muito aspectos podem ser trabalhados por meio de jogos e brincadeiras, com objetivos como levar a criança a “aprender a lidar com ansiedade; refletir sobre limites; estimular a autonomia; desenvolver e aprimorar as funções neurossensoriomotoras; desenvolver a atenção e a concentração; ampliar a elaboração de estratégias; estimular o raciocínio lógico e a criatividade”. (RAU, 2007, p.53). Assim, questões referentes ao espaço e aos materiais característicos de cada situação lúdica são elementos que podem ajudar a definir qual o jogo e brincadeira mais adequada para a ação educativa a qual o professor propõe.
  Entendemos, portanto, a importância das situações lúdicas como fio condutor, enquanto recurso, na mediação e desenvolvimento de práticas pedagógicas direcionadas a educação infantil, tornando-as mais atrativas e estimulantes.
Desse modo, foi pensada a proposta de uma atividade para ser desenvolvida na educação infantil com o objetivo de formar leitores usando como estratégia atividades lúdicas para estimular o prazer na leitura.
Na sala de aula a professora propõe às crianças uma brincadeira “montar um baú mágico”. Para isso, professora e crianças deverão forrar uma caixa grande com papel colorido, e colocar dentro dela muitos livros: contos, poemas, historias, gibis, e objetos da criança: brinquedos, fotos, etc.  No desenvolvimento da atividade, uma criança por vez se dirige até o “Baú” e retira um livro lá de dentro, e com a ajuda da professora conta um trecho da historia aos demais colegas mostrando as ilustrações  e interagindo na sala ou simplesmente relata algo do seu interesse sobre o objeto que pegou.

Durante a pré-escola é o período preparatório para a alfabetização, a criança desenvolve capacidades e habilidades que a tornarão aptas a aprendizagem da leitura: a construção dos símbolos e o desenvolvimentos da linguagem oral e da percepção permitem o estabelecimento de relações entre as imagens e as palavras. Os interesses voltam-se, nesta fase, para historias curtas e rimas, em livros com muitas gravuras e pouco texto escrito que permitem a descoberta do sentido mais através da linguagem visual. Paralelamente estão presentes as historias mais longas, que falam do cotidiano infantil e são lidas ou cantadas pelo adulto. (COSTA, 2007, p.101-102).

Outra possibilidade na atividade é a professora contar a historia escolhida pelas crianças e após convidá-las para representar o enredo dos personagens, organizando uma brincadeira faz-de-conta ou dramatização. Assim, por exemplo, na historia de “chapeuzinho vermelho”, as crianças dividem-se em: espectadores, aquelas que assistirão a apresentação e “atores”, aquelas que encenarão a dramatização como chapeuzinho vermelho, lobo, vovó, caçador e demais animaizinhos da floresta. Para isso, a professora deve escolher um local na sala para a representação e decorá-la com a ajuda das crianças, bem como organizar com cadeiras ou colocar um tapete no espaço da plateia, como também confeccionar os figurinos para os atores. Aqui vale a criatividade de cada professora e a disponibilidade de espaço, pode-se também realizar essa atividade em outros ambientes ou mesmo no pátio da instituição e convidar as demais turmas para assistir ao espetáculo das crianças.
Pois, pela oportunidade de vivenciar brincadeiras imaginarias e criadas por elas mesmas as crianças podem acionar seus pensamentos para a resolução de problemas que lhes são importantes e significativos e com isso desenvolver aspectos importantes como a cognição, a atenção, a concentração, a memória, os aspectos motores, interagindo e socializando com seus pares. (RAU, 2007).
Sem dizer, também, da possibilidade da criança, a partir da historia contada pela professora, expressar-se por meio do desenho, recorte e colagem, mímica, confecção de livros, cartazes, jornalzinho da sala e murais. São exemplos de se trabalhar com leitura na educação infantil.

De acordo com a fase da criança, a professora pode explorar símbolos que se coletivam e podem ser decodificado pela turma, como as atividades lúdicas envolvendo o corpo. Utilizando, por exemplo, recortes de revistas, é possível estimular a criança a representar com o corpo ações apresentados nas figuras construir imagens com sombras a partir da técnica do teatro de sombra, a fazer mímica para representar um objeto afim de que outra criança adivinhe. Estimulando que as crianças contem uma historia com um pano na mão e, à medida que o pano vai passando de mão em mão, vai se transformando em diferentes formas e significados. Nas historias ocorrem novos desafios de linguagem, como a invenção de nomes e palavras sugestivas, não só pela entonação, etc. (COCCO apud RAU, 2007, p.92)

 O papel do professor é de fundamental importância na formação do leitor, pois ele deve interagir como facilitador da aprendizagem, tendo como recurso o lúdico para que esta aconteça. É imprescindível repensar e adequar constantemente a prática pedagógica, propondo sempre novas alternativas de atividades e convidando as crianças a opinarem e participarem dessa construção, procurando manter sempre os desafios e as motivações na sala de aula.
As práticas pedagógicas desenvolvidas para a educação infantil precisam ser planejadas pelo professor, daí a necessidade da organização dos materiais que serão utilizados durante as atividades, do tempo e duração das situações de aprendizagem, levando em conta as necessidades básicas das crianças, bem como os espaços destinados a seres momentos, aos jogos, às brincadeiras, ao lazer, ao descanso e aos diversos momentos de aprendizagens mediadas pelo professor.
Para que o professor atinja os resultados esperados nas atividades propostas, é preciso, que, ao planejá-las, ele organize também uma intervenção mediadora, ou seja, elabore questões que sejam o fio condutor do seu ato de mediação fundamentado na reflexão e no planejamento. "O professor deve estar atento quanto a forma de propor as atividades, pois e preciso prever a maneira de iniciar cada trabalho de forma a explicitar a necessidade social daquele conhecimento. Assim  as crianças serão atraídas e estarão curiosas , alegres, dispostas a participar" (CD, 2008, p.11). Além disso, é necessário considerar que o conhecimento é único e que a criança aprende de forma global, nunca de maneira fragmentada. Portanto, a aprendizagem na educação infantil precisa ser desenvolvida por meio de processos interdisciplinares.

O trabalho direto com as crianças pequenas exige que o educador tenha uma competência polivalente. Ser polivalente significa que ao educador cabe trabalhar com conteúdos de natureza diversa que abrangem desde cuidados básicos essenciais até conhecimentos específicos provenientes das diversas áreas dos conhecimentos. Esse caráter polivalente demanda, por sua vez, uma formação bastante ampla e profissional que deve tornar-se, ele também, um aprendiz, refletindo constantemente sobre sua prática, debatendo com seus pares, dialogando com as famílias e a comunidades e buscando que desenvolve. São instrumentos essenciais para a reflexão sobre a prática direta com as crianças a observação, o registro, o planejamento e a avaliação. (BRASIL, 1998, p.41).

Portanto, o planejamento da prática pedagógica na educação infantil é justificado pela necessidade de organizar as diferentes situações de aprendizagens nas quais as crianças estão expostas, propiciando-lhes espaço e tempo para desenvolverem-se integralmente fazendo uso dos diferentes linguagens pelo conhecimento que detêm da cultura, do mundo, de uma forma geral.

 Referências                                                                    

BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais: Apresentação dos Temas Transversais, Ética. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.

COSTA, M.M. Metodologia do Ensino da Literatura Infantil. Curitiba: IBPEX, 2007

CD. Mídia - Educação Infantil. Coleção Gira Mundo - Sistema de Ensino Uninter. Editora IBPEX, Curitiba, 2008.

RAU, M.C.T.D. A Ludicidade na Educação: Uma Atividade Pedagógica. Curitiba: IBPEX, 2007.

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