17 de mai de 2012

Educação através do Lúdico

RAMOS, Paulo. Práticas Lúdicas na Educação Infantil e Anos Iniciais. Massaranduba: IESAD, 2012.

Realizamos uma resenha do livro “Práticas Lúdicas na Educação Infantil e Anos Iniciais”. Os conceitos contidos nesta obra são fundamentais para os professores que estão buscando transformar a sua prática, utilizando estratégias diferenciadas no processo de ensino-aprendizagem. E as práticas lúdicas surgem como atividades que auxiliam o desenvolvimento e a aprendizagem do aluno.
O objetivo deste livro é que o leitor ao ler reflita como as práticas lúdicas são importantes na aprendizagem do aluno. Os temas discutidos pelo autor Paulo Ramos buscam fomentar novas perspectivas na prática pedagógica atrelando a proposta do lúdico à realidade educacional atual.
Ramos (2012, p.3) inicia sua obra discutindo os diversos aspectos que a escola apresenta: sua origem e o seu significado. O autor pontua também que a escola é uma instituição cooperadora da família na educação das crianças, como também fomentadora do desenvolvimento do saber e da cultura, da qual a sociedade muito se preza e se orgulha.
             Menegolla (apud RAMOS, 2012, p. 3) destaca que “desde o surgimento da escola no contexto social, seu propósito tem sido o de “introduzir”, “transmitir”, informações, hábitos, costumes, crenças, valores, dados, explicações, técnicas e experiências acumuladas pelo grupo social ao qual o educando pertence”.
             No entanto na visão Freiriana, o professor para educar deve “tornar-se educando de seu educando, ambos aprendendo juntos numa relação dinâmica, na qual a prática, orientada pela teoria, reorienta essa teoria, em um processo de constante aperfeiçoamento. A educação não deveria reprimir, modelar e instruir apenas, mas fazer com que a criança se emancipe”. (RAMOS, 2012, p. 3).
Ao tratar da infância e do lúdico o autor nos esclarece que a sua imagem hoje é reconhecida com o auxílio de concepções psicológicas e pedagógicas, que reconhecem o importante papel do jogo e da brincadeira no desenvolvimento e na construção do conhecimento infantil. O lúdico permite à criança estar em contato, através da oralidade, com várias tradições, valores e culturas, que são passados de gerações a gerações. A partir das brincadeiras, a criança libera e canaliza suas energias, pode transformar uma realidade difícil, inicia a criatividade e soluciona seus próprios problemas.
O autor apresenta um sucinto histórico do jogo e seus principais pensadores, mostrando que o lúdico é um processo que permite a aprendizagem, o desenvolvimento e, acima de tudo, a diversão e a alegria a quem o pratica.

A criança se expressa pelo ato lúdico e é através desse ato que a infância carrega consigo as brincadeiras. Elas perpetuam e renovam a cultura infantil, desenvolvendo formas de convivência social, modificando-se e recebendo novos conteúdos, a fim de se renovar a cada geração. É pelo brincar e repetir a brincadeira que a criança saboreia a vitória da aquisição de um novo saber fazer, incorporando-o a cada novo brincar. (DORNELLES, 2001, p. 103).


Educar a partir do lúdico está distante da concepção de passatempo, tem um significado mais complexo e está presente em todas as etapas da vida do ser humano. Segundo Delors (2001), são quatro os pilares básicos para um novo paradigma de educação: aprender a conhecer e aprender a viver juntos, aprender a fazer e aprender a ser.
Psicólogos contemporâneos como Piaget (1990), Vygotsky (1998), Elkoninn (1998), Winnicott (1975) e outros deram destaque ao brincar da criança, atribuindo-lhe papel decisivo na evolução dos processos de maturação e aprendizagem do desenvolvimento humano.
Ramos aborda os estudos de Piaget (1990), afirmando que as estruturas que caracterizam os jogos deram origem a três categorias

Primeiro: o jogo de exercícios, que se refere ao desenvolvimento sensório-motor e às atividades de prazer funcional da criança, geralmente aparecem de zero a dois anos de idade; no final do segundo ano surge o jogo simbólico ou faz-de-conta, que compreende na representação de um objeto ausente, ocasionando uma representação fictícia entre um elemento dado e um elemento imaginado surge entre os 3 a 6-7 anos de idade, seguindo até os 11-12 anos de idade e, por fim, o jogo de regras; eles provêm das relações sociais ou interindividuais; surgem a partir 7-8 anos aos 12 anos de idade mais ou menos. Piaget refere-se também aos jogos de construção que é considerado a transição entre os três tipos de jogos e as condutas adaptadas. Surge no final da primeira infância. (RAMOS. 2012, p.22).

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Ramos nos esclarece que o jogo de construção na escola possui um papel importante do ponto de vista pedagógico, pois através dele é possível perceber como a criança se socializa e como está inserida no mundo social. Já o jogo simbólico surge com o aparecimento do esquema simbólico, ou seja, quando a criança reproduz um esquema sensório-motor. A criança simboliza o que lhe interessa a partir de suas atividades cotidianas. No jogo simbólico, a característica da criança, toma um objeto para representar outro. Um apagador pode ser um carro para a criança ela pode ser o super-herói, uma fada, a mãe, ou pai, o que quiser. No jogo, a criança muda a sua realidade a seu bel-prazer.
O jogo de regras inicia a partir dos quatro a sete anos, mas se efetiva dos sete aos onze anos de idade, substituindo e desenvolvendo-se durante a vida adulta e são essencialmente sociais. Piaget distingue dois tipos de regras: as regras que referem-se a jogos institucionais e as espontâneas que referem-se aos jogos de natureza momentânea e contratual. Portanto, o jogo de regras marca o enfraquecimento do jogo infantil e a transição para o jogo adulto. Este já não é mais função vital do pensamento, pois o indivíduo já está socializado.
 Os escritos de Vygotsky na área educacional demonstram que o autor não considerava o jogo um aspecto predominante na infância, mas um elemento de grande influência no desenvolvimento infantil e para desenvolver a zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a distância entre o conhecimento real, o que a criança consegue fazer sozinha, e o conhecimento potencial, o que a criança pode fazer com o auxílio de um adulto ou pessoa mais experiente.
Ramos nos explica que no jogo a criança não se comporta de forma puramente simbólica, ela quer e realiza seus desejos, como ao pensar ela age. Assim as ações internas e externas são inseparáveis.  Para que o jogo possa ser considerado uma atividade condutora para o desenvolvimento da criança, é necessário que, em uma situação imaginária, a criança seja capaz de criar situações voluntárias e formar planos da vida real através de motivações próprias .
No jogo uma situação imaginária está muito próxima da situação real, ou seja, a criança joga reproduzindo as situações do real. A criança no jogo se comporta além do comportamento diário, como se ela estivesse acima de sua idade real. O jogo é uma grande fonte de desenvolvimento, pois contém as tendências do desenvolvimento sob forma condensada.
O autor pontua que o processo de escolarização deve proporcionar aprendizagens que se envolvam nos processos de desenvolvimento da criança em conexão com a situação vital. Portanto, uma forma do professor promover a interação no contexto escolar poderá ser através dos jogos, pois esses são responsáveis por criar a Zona de Desenvolvimento Proximal, sendo que a criança ao jogar internaliza regras de condutas, valores, modos de agir e pensar de seu grupo social, que irão interferir no seu próprio comportamento e no seu desenvolvimento cognitivo.
A utilização do jogo como educativo contribui para a exploração e a construção do conhecimento através da motivação típica do lúdico, mas o trabalho pedagógico requer estímulos externos. Então, cabe ao educador fornecer um conteúdo, dando-lhe a forma de um jogo, ou selecionar entre os jogos disponíveis na cultura lúdica infantil aqueles cujo conteúdo corresponda a objetivos pedagógicos.
Conforme o autor explica em sua obra, as habilidades lúdicas desempenham um papel de extrema importância na sala de aula, com objetivos diversificados, procedimentos e duração, em formas diferentes de trabalho: individual, em duplas, pequenos grupos ou com todos. Assim, as atividades lúdicas funcionam como exercícios necessários e úteis a vida da criança. E os jogos e brincadeiras são elementos indispensáveis para que haja aprendizagem atrelada à diversão, que proporcione prazer no ato de aprender. E que facilitem práticas pedagógicas em sala de aula.
O professor tem como papel principal, ser o mediador entre a criança e o objeto do seu conhecimento. A ele cabe a tarefa de lançar, por meio de atividades lúdicas, a pergunta a qual a criança ainda não foi exposta, instigar a sua curiosidade das mais diferentes formas, definir uma ação pedagógica que vá de encontro com o seu desenvolvimento.
Ao realizar essa resenha pude ler um material rico que traz a contribuição de vários autores que tratam da educação atrelada ao lúdico, como por exemplo: Piaget e Vygotsky. Compreendi que para tornar a aprendizagem significativa temos que desenvolver uma ação que concebe o lúdico como recurso pedagógico, tornando o processo de ensino - aprendizagem estimulante, atrativo e divertido. Porém, não basta apenas pensar uma ação lúdica, o professor precisa se tornar lúdico, torna-lo parte do seu planejamento educativo, ou seja, desenvolver atitudes lúdicas.
M. Biasi
SFS/SC, 2012
Co-autoras:
A.   D. Passos
G. S. M. Oliveira

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