4 de jun de 2012

Piaget x Vygotsky na Educação Escolar

Por: M. Biasi

 Ao abordar acerca das teorias psicológicas desenvolvidas até então no campo educativo não posso deixar de explorar as correntes interacionalista, desenvolvida por Lev  Vygotsky, e a construtivista, desenvolvida por Jean Piaget, a fim de compreendermos suas contribuições para a prática docente, realizando um paralelo com as mesmas na educação escolar.
Refletindo sobre o funcionamento do pensamento humano e seus aspectos cognitivos, Piaget desenvolveu uma teoria chamada "Epistemologia Genética", onde afirma que “o conhecimento resulta das interações que se produzem entre sujeito e objetivo, como sendo uma dupla construção que, para progredir, depende da elaboração tanto de um quanto do outro” (VALLE, 2007, p.24).

O conhecimento não pode ser aceito como algo predeterminado desde o nascimento ou de acordo com a teoria inatista, nem resultado do simples registro de percepções e informações como comenta o empirismo. Resulta das ações e interações do sujeito com o ambiente onde vive. Todo o conhecimento é uma construção que vai sendo elaborada desde a infância, através da interação sujeito com os objetos que procura conhecer, sejam eles do mundo físico ou cultural. (PIAGET apud SAYEGH, 2011, p. 4).

Em sua teoria Piaget (apud STOLTZ, 2008), afirma que as pessoas passam por diferentes estágios desde o mento que nasce até a idade adulta. São eles: sensório-motor: (recém – nascido até 2 anos); pré-operatório:( 2 aos  7 anos); período das operações  concretas: ( 7 aos 12 anos); período das operações  formais (12 anos em diante).
Alem de mapear tais estágios, Piaget, apresenta alguns conceitos muito importantes para a educação os quais denomina de: equilibração, adaptação, acomodação, assimilação e desequilíbrio. Que em linhas gerais, segundo Stoltz (2008), equivale ao posicionamento da criança como forma de equilíbrio com o mundo. Sua maneira de assimilar (transformar o meio para que este se adapte às suas necessidades, neste caso a aprendizagem) e de se acomodar (mudar a si mesma para adaptar-se ao meio que ofereceu resistência, ou seja, caminhar para o seu desenvolvimento) ocorrera sempre através de desequilíbrios (processo que leva a criança a gerenciar seus conflitos, superar etapas anteriores e se posicionar frente ao novo).
Já a teoria de Vygotsky, conhecida nos meios educativos pelo titulo de "Histórico social", afirma ser determinante para o desenvolvimento e aprendizagem dos sujeitos a relação deles com as outras pessoas, focando a função da linguagem nesse contexto. O autor defende que “o homem se faz homem na interação com seus conhecimentos, sendo o seu eu formado a partir das relações que estabelece com as outras pessoas” (VALLE, 2007, p.28).
Em sua teoria, Vygotsky (apud STOLTZ, 2008), destaca que é preciso considera dois níveis de desenvolvimento: o real e o potencial intimamente ligados á ZDP:

O conceito de zona de desenvolvimento proximal ou potencial (ZDP) é um conceito poderoso, que vem dar suporte á noção de aprendizagem gerando desenvolvimento. Representa a distancia entre o nível de desenvolvimento potencial ou o que o sujeito consegue realizar com ajuda de outros e o nível de desenvolvimento real ou que pode realizar sozinho e que já possui em termos de desenvolvimento. (STOLTZ, 2008, p. 70).

     Segundo Vygotsky (apud STOLTZ, 2008, p. 65) não podemos ignorar o papel desempenhado pelas crianças ao se relacionarem e interagirem com seus pares, seja eles professores, colegas, pais e outras pessoas mais velhas e mais experientes. “A mediação é a forma de conceber o percurso transcorrido pela criança no seu processo de aprender. Quando o professor, se utilizando a mediação, consegue chegar a ZDP, através dos “porquês” e dos “como”, ele pode atingir maneiras através das quais a instrução será mais útil para a criança”. Desse modo, o professor terá condições de utilizar, além dos meios concretos, visuais e reais, mas também, com maior propriedade, fazer uso de recursos que se reportem ao pensamento abstrato, ajudando seus alunos a superar suas capacidades.
Ao traçar um paralelo entre Piaget e Vygotsky, podemos perceber que suas teorias não são contraditórias, porém apresentam focos de estudos diferentes: Piaget, com seus estudos sobre o desenvolvimento humano, deu ênfase ao cognitivo; Vygotsky aborda o conceito de ZDP, foca o social.
            Ao refletir como os fundamentos psicologicos podem contribuir para a pratica docente (dentro da perspectiva deas teorias citadas), concluimos que precisamos inicialmente resgatar o conhecimento que a criança traz consigo para o interior da sala de aula para, a partir desse saber, levá-la a refletir sobre os conceitos trabalhados diariamente na escola. É preciso levar a criança a uma nova compreensão dos conteudos que esta aprendendo, estimulando a interação, o trabalho em grupo, em momentos ludicos e estimulantes. Desse modo, a criança troca informações com os colegas relacionado os novos conhecimentos com os que ela já sabe e a partir dessa troca (o seu saber ecom o seu não-saber) possa construir uma nova compreensão dos temas abordados pelo professor em sala de aula.
            Uma exemplo prático seria em uma aula de matematica, formar grupos homogeneos de crianças, de forma que aquele que tem dificuldades na disciplina possa aprender com um colega mais experiente. Pois, o trabalho com desafios e problemas que dependem do conhecimento  científico para a sua resolução e que estejam além da capacidade de a criança resolver por si só representam oportunidades de atuar na ZDP. O foco, também, é levar a criança a assimilar o novo conhecimento, ou seja, ao professor cabe intervir para fazer os alunos pensarem sobre as suas próprias atividades, refletir sobre o processo que levou ao êxito ou ao fracasso no trabalho com diferentes áreas.
            O professor, com os diferentes conhecimentos que traz (psicologicos entre outros), ao propor desafios e problemas aos alunos e levá-los a refletir sobre as suas produções (tanto individuais quanto em grupo) pode contribuir para alcançar esse objetivo.

Referências:

STOLTZ, Tânia. As perspectivas construtivistas e histórico-cultural na educação escolar. Curitiba: IBPEX, 2008.

VALLE, L. L. D. Metodologia da Alfabetização. Curitiba: IBPEX, 2007

SAYEGH, F. As relações entre desenvolvimento e aprendizagem para Piaget e Vygotsky.Disponível,em:<http://ava.grupouninter.com.br/claroline176/claroline/learnPath/navigation/viewer.php>. Acesso: Ago, 2011.


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