12 de dez de 2012

O Por vir das novas linguagens tecnologicas na Educação


Realizei uma pesquisa em uma escola publica na minha cidade para analisar o perfil de leitores em processo de formação e também que tipo de leitor os alunos do ensino fundamental se consideram. No total foram 18 entrevistados de turmas do 6º e 7º anos. Dos dezoito entrevistados 10 se consideravam leitores imersivos, 3 contemplativo e 5 moventes.
Segundo Demo (2008), o leitor contemplativo, tem características especificas que o diferencia dos demais, pois esse tipo de leitor se concentrar numa atividade solitária de leitura, com muitos momentos de reflexão, uma leitura pausada, retornada, feita novamente por várias vezes até que o entendimento seja feito do modo desejado. Esse é o leitor do livro.
“O leitor do livro é o mesmo da imagem e este pode ser o leitor das formas híbridas de signos e processos de linguagem, incluindo nessas formas até mesmo o leitor da cidade e o espectador de cinema, TV e vídeo”. (SANTAELLA, 2004, p. 16)
Na leitura do livro, essa dinâmica possibilita ao leitor conduzir a apreensão do conteúdo, adicionando sua inferência, consultando textos afins etc. Embora a leitura da escrita de um livro seja sequencial, a solidez do objeto livro permite idas e vindas, retornos, resignificações. E o leitor contempla e medita à sua maneira (DEMO, 2008).
 Leitor moventecom o advento tecnológico em expansão, com a introdução dos cinemas e a instantaneidade da televisão, quebrou-se um paradigma e surgiu
um leitor que acumula características do perfil anterior “contemplativo”, mas que passa a ser também movente; leitor de formas, volumes, massas, interações de forças, movimentos; leitor de direções, traços, cores; leitor de luzes que se acendem e se apagam; leitor cujo organismo mudou de marcha, sincronizando-se à aceleração do mundo.

É nesse ambiente que surge o nosso segundo tipo de leitor, aquele que nasce com o advento do jornal e das multidões nos centros urbanos habitados de signos. É o leitor que foi se ajustando a novos ritmos da atenção, ritmos que passam com igual velocidade de um estado fixo para um móvel. É o leitor treinado nas distrações fugazes e sensações evanescentes cuja percepção se tornou uma atividade instável, de intensidades desiguais. (SANTAELLA, 2004, p. 29).

Por fim o leitor imersivo, surge da multiplicidade de imagens sígnicas e ambientes virtuais de comunicação imediata. Esse novo tipo de leitor nasce inserido dentro dos grandes centros urbanos, acostumados com a linguagem efêmera e provido de uma sensibilidade perceptivo-cognitiva quase que instantânea.
De acordo com Santaella (2004), o receptor de uma hipermídia ou seu usuário coloca em ação mecanismos, ou melhor, habilidades de leitura muito distintas daquelas que são empregadas pelo leitor de um texto impresso como o livro. Por outro lado, são habilidades também distintas daquelas que são empregadas pelo receptor de imagens ou espectador de cinema, televisão. Essas habilidades de leitura multimídia ainda mais se acentuam, quando a hipermídia migra do suporte CD-ROM para transitar “nas potencialmente infinitas infovias do ciberespaço”. (p. 11).
A prática social de leitura sofreu e continua tendo inúmeras transformações, ou seja, não podemos comparar o modo de ler do século passado com o atual. Os modos de ler se modificaram e, então, cabe ao profissional de educação acompanhar essas transformações para que sua aula não seja desinteressante para os alunos. Ao mesmo tempo, ela tem uma historicidade, pois nem sempre se leu como hoje se lê e talvez nem se leia no futuro como se lê no presente (DEMO, 2008). 
O desinteresse pela leitura deve-se ao tipo de leitura exercitada na escola: uma leitura descontextualizada do interesse do aluno que o faz silenciar. Por essa razão, essa pesquisa tentou identificar que tipo de leitura o aluno faz durante suas incursões na tela do computador e como o professor relaciona-a com a sua prática de ensino.
Para complementar o trabalho, entrevistei um professor, o diretor e a auxiliar pedagógica buscando entender como a escola encara a “era da informação” no processo de ensino- aprendizagem. Foi elabora a seguinte questão norteadora:

Para você, qual a importância da realidade virtual e da aprendizagem digital na formação dos alunos de hoje e como essa realidade influencia na prática de ensino e aprendizagem desse aluno? Quais as vantagens da aprendizagem digital?

Diretor: “as novas tecnologias são de suma importância na formação dos alunos, mesmo porque eles já “nascem” mexendo no computador (risos). Desse modo as novas tecnologias influenciam sim na prática pedagógica do professor onde este precisa desenvolver um processo de ensino e aprendizagem que conceba as novas tecnologias no seu planejamento. As vantagens da era informacional é que os alunos têm acesso as informações de forma rápida e fácil, já as desvantagens é o distanciamento dos livros e da leitura compenetrada que também é essencial na formação do indivíduo”.

Professor: “reconheço a importância das novas tecnologias na educação no sentido de ampliar as fontes de conhecimento dos alunos e utiliza-las como recurso no processo de ensino-aprendizagem. Entendo que as mídias têm forte influencia no processo de ensino e aprendizagem, pois os alunos já veem para a escola com uma bagagem de conhecimento dessas tecnologias que precisa ser considerada pelo professor. Porque o computador está para a educação assim como o telescópio está para a astronomia, não tem como separá-los sob pena de se tornar obsoleto. Mas temos que ter em mente e ensinar nossos alunos que as mídias são apenas instrumentos, recursos, e não meios de substituir relações humanas. As vantagens são as melhores possíveis – acesso rápido a informação, digitação, estruturação do conhecimento, etc. – já as desvantagens é o distanciamento das relações humanas e o famoso “cola-copia” nas pesquisas realizadas pelos alunos, que certas vezes nem chegam ler o conteúdo, apenas copiam e entregam para o professor, muitas vezes ainda com a identificação do site copiado (rsrsrs). No entanto não podemos mais negar a importância das tecnologias em nossa vida cotidiana, por isso não podemos ter medo de utilizá-las, mas devemos fazê-lo com responsabilidade de forma a auxiliar a construção do conhecimento individual e coletivo”.

Auxiliar pedagógica: “concordo que as mídias são importantes para o aprendizado dos alunos, mas também é importante que o professor seja um agente conectado às novas tecnologias para de fato concretizar o processo educativo. As vantagens da nova mídia é um processo de ensino-aprendizagem amplo e dinâmico, as desvantagens é o mau uso dessas tecnologias o que pode causar prejuízo à aprendizagem”.

A seguir apresentarei um quadro com informações coletadas a partir da entrevista com professores da escola sobre a utilização das tecnologias na educação, também visitei um Centro Municipal de Educação Infantil para saber se os profissionais da educação infantil estão usando as tecnologias ou não na sua vida cotidiana e pedagógica: total 30 professores – 10 Educadores (Ed. Infantil), 20 Professores (Ens. Fundamental e Médio).

Acessos
digitais
Diariamente
3 ou 4 vezes
por semana
1 ou 2 vezes
por semana
A cada 15
dias
Nunca
Participa de
lista de
discussão por
correio
eletrônico

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5 educadores
15 professores

5 educadores
5 professores

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Usa correio
eletrônico

20 Prof.
 10 Edu.


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Navega na
internet

19 Prof.
4 Edu.


6 educador
1 Professor
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Usa a internet
para o lazer

11 professores
3 educadores

9 professores
7 educadores


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Como podemos perceber dificilmente os professores, sejam eles do ensino fundamental, médio ou mesmo da educação infantil ficará definitivamente sem usar as novas tecnologias, seja nas suas atividades diárias e pessoais de lazer oi mesmo diversão. No entanto, 

Não é raro percebermos que nas atividades que envolvem o uso de recursos tecnológicos na Educação muitos alunos demonstram estar mais familiarizados do que o professor. Quando isto acontece o professor sente-se pouco á vontade em parecer que não é o detentor do saber naquele momento, daí muitos preferem abster-se do uso dos recursos tecnológicos por não estar tão seguros do seu uso ou mesmo por não possuir uma proposta pedagógica referente (MORAIS, 2012, p. 1). 

Nesse sentido, o docente que utiliza recursos associados às Tecnologias Digitais em suas aulas certamente conseguirá transpor o nível de analfabetismo tecnológico, aquele em que as pessoas sabem mexer no computador, mas não sabem como utilizá-lo para fins específicos, ou mesmo não sabem manipular a máquina. Contudo a maioria dos docentes que atuam nas escolas são considerados imigrantes digitais e necessitam adquirir competências e habilidades que os qualifiquem a trabalhar de forma síncrona com o contexto de percepção e construção de conhecimento que seus alunos, nativos digitais, já vivenciam (MORAIS, 2012).
Assim, a apropriação de competências e habilidades tecnológicas por parte dos docentes torna-se requisito importante para que outras práticas escolares e contextualizadas sejam agregadas às necessidades propostas pela cibercultura. Uma vez que, segundo Demo (2008), educar é uma tarefa complexa, e o seu sucesso reside na aptidão dos professores em fazer com que desenvolvam habilidades, competências e sensibilidades, em que eles mesmos descobrirão maneiras úteis de se beneficiarem com os novos saberes advindos com  as tecnologias digitais. Porém, o autor adverte, a nova mídia é uma ferramenta, sozinha não ensina, nem educa, pois educar é condição humana. Tarefa da escola, mediada por professores e família.

DICA DE LEITURA LIVRO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS

REFERÊNCIAS


DEMO. Pedro. O Porvir: desafio das Linguagens do século XXI. Curitiba: Ibpex, 2. ed, 2008.

MORAIS, O. Benefícios das novas tecnologias na educação. Disponível em: http://www.osvaldomorais.com/index.php/Artigos/osvaldo-morais-beneficios-das-novas-tecnologias-na-educacao-e-na-ead.html. Acesso: nov/2012.

SANTAELLA, Lucia. Navegar no ciberespaço: o perfil do leitor imersivo. São Paulo:
Paullus, 2004.

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